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Vale Mining Company vai pagar US $ 7 bilhões em compensação pelo rompimento de barragens no Brasil

RIO DE JANEIRO – A gigante mineradora brasileira Vale assinou nesta quinta-feira um acordo para pagar US $ 7 bilhões de indenização ao estado de Minas Gerais, dois anos após o rompimento de uma de suas barragens matou 270 pessoas, o que também causou um grande dano ambiental. Onze pessoas ainda estão desaparecidas.

Embora o valor a ser pago fosse menor do que o governo estadual inicialmente exigia, As autoridades estaduais ainda o chamam de o maior assentamento da história do Brasil.

A explosão da barragem destruiu cerca de 300 hectares de floresta nativa e poluiu 200 milhas do rio Paraopeba local, tornando-o inútil como abastecimento de água para o estado. No rio São Francisco, que abastece cinco estados diferentes, foram encontrados vestígios do lodo tóxico que saiu da barragem.

A barragem, construída para conter resíduos de uma mina de minério de ferro nas proximidades, desabou em 25 de janeiro de 2019 na cidade de Brumadinho, enterrando casas, hotéis, rios e instalações da empresa sob uma onda de lama. Em apenas alguns dias, ficou claro que a empresa havia sido avisada várias vezes de que a estrutura não era segura. Documentos internos revelados.

Um relatório da Tüv Süd, empresa alemã contratada pela Vale para auditar a barragem em 2018, antes do rompimento, avaliou a segurança da barragem, apesar de encontrar tubos de drenagem bloqueados e rachaduras. Por outro lado, entrevistas com funcionários e familiares das vítimas mostraram que a empresa havia sido avisada por seus próprios funcionários que a barragem apresentava um vazamento.

Em 2020, promotores que investigavam o caso encontraram evidências de que relatórios de segurança haviam sido fabricados para pelo menos 10 barragens da Vale e, em seguida, acusaram 16 funcionários da Vale e da empresa alemã por homicídio, incluindo Fabio Schvartsman, que era CEO da Vale na época.

Um relatório de uma comissão independente contratada pela Vale atestou que a empresa estava ciente dos riscos à segurança na barragem de Brumadinho desde 2003 e havia recebido vários alertas sobre eles ao longo dos anos, especialmente em 2015, depois que uma barragem semelhante foi parcialmente propriedade da Vale quebrou , deixando 19 mortos.

O desastre destruiu não só áreas das comunidades do entorno da barragem, mas também os empregos, dos quais dependiam os 40 mil habitantes de Brumadinho. Desde o desastre, muitos moradores de Brumadinho vivem das transferências de dinheiro da Vale como compensação pela tragédia.

O acordo prevê a continuidade do programa de transferência de renda por mais quatro anos, recuperação do meio ambiente nas áreas protegidas que foram danificadas, bem como projetos a serem definidos pelas comunidades afetadas.

Luiz Eduardo Osório, diretor de relações institucionais e sustentabilidade da Vale, comemorou o acordo em solenidade nesta quinta-feira. “Isso é resultado de meses de diálogo aberto entre representantes da Vale e membros do governo”, afirmou, lembrando que a empresa havia “ouvido os desejos do povo mineiro”.

Mesmo assim, muitos em Brumadinho ficaram insatisfeitos com os resultados da negociação e disseram que se sentiram excluídos do processo. Aproximadamente 150 pessoas protestou às portas do tribunal estadual onde o acordo foi assinado quinta-feira, dizendo que excluía as vítimas da tragédia. “Tudo bem e o estado está fazendo um acordo injusto”, dizia um pôster.

Jarbas Soares Júnior, procurador-chefe do Estado, enfatizou que o acordo não afeta outros processos movidos contra a Vale e seus executivos, que incluem denúncias de corrupção e homicídio. No ano passado, um juiz estadual concordou em ouvir um caso que acusou 16 pessoas.

Soares Júnior disse que o negócio foi o melhor que puderam, para evitar um processo demorado no famoso sistema judiciário brasileiro.

“Este acordo demonstra que medidas preventivas cuidadosamente executadas são a melhor opção para as empresas”, afirmou.

Os familiares das vítimas disseram que não ficaram consolados com o anúncio do acordo.

Flávia Coelho, 34, disse que o dia foi de luto, não de celebração. Dois anos se passaram desde que ele enterrou seu pai, Olavo, que morreu na barragem dias depois de alertar seus superiores que o desastre era iminente.

“Ele deu 40 anos de trabalho honesto a uma empresa criminosa”, disse ele em uma mensagem de áudio. “Não se esqueça do nosso tratamento, que não é de bilhões, mas de justiça e honra aos trabalhadores que perderam suas vidas”.

Manuela Andreoni reportou do Rio de Janeiro e Letícia Casado de Brasília.

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